Amar-te quando não te amo

Posted in Vazio by Sara on 30/08/2011

O amor é como uma droga, dizes. Não sei se te referes a esse malfadado vício de uma forma positiva ou negativa. Não percebo o que queres dizer. Não te percebo. Não te sinto, não me sentes; é como se não existíssemos um para o outro, sabes? E, se não existirmos um para o outro, não somos nada. Não queres ser alguém? Eu quero ser alguém, quero sentir, quero amar como nunca amei antes – como nunca te amei. Porque, às vezes, amar como eu te amo não chega.

A tua voz não é a mesma: não me traz conforto, não me sinto em casa. Podemos fingir toda a vida – isso não tornará o nosso conto de fadas realidade. Se não lutares, amor, as coisas, as pessoas, as histórias, tudo isso não passará de fumo. Fumo sem fogo, mas fumo – nada mudará isso. E eu não posso mais viver rodeada de sombras. Sombras são como fantasmas. Fantasmas são morte. E, amor, a morte não nos dá vida.

É o inferno. Sim, vivo no inferno quando não te tenho mas, se te tenho, fico presa nele. Preciso de ti mas não te quero. Quero-te quando não preciso de ti. Espero por ti quando sei que não vens. E, quando chegas, fecho os olhos e espero que vás embora. Como se nunca tivesses chegado, como se nunca tivesses existido.

Amor, eu não sei quem te perdeu.