“Para o infinito e mais além”

Posted in Jane Austen! by Sara on 27/07/2011

Um breve suspiro, nada mais. O suficiente para quebrar um silêncio que durava há tempo demais, mas tarde demais. Uma só palavra e todas as minhas certezas caem por terra, abruptamente – em vão. Nada mais há para mudar; construímos barreiras e traçámos rumos – diferentes, paralelos. Perdemo-nos um do outro com mais facilidade do que nos encontrámos. Num sonho, talvez. No mais belo dos sonhos que alguma vez tive: tu.

Somos o que não somos. Somos todas as palavras que ficaram por dizer. Somos todos os momentos que ficaram por viver. Somos o tempo para além do próprio tempo. Somos isto tudo e no fim de contas não somos nada. Porque não ficou nada. Porque talvez nunca tenhamos tido nada mais que nada. E, no fim – por fim – não teremos tido tudo?

Dois breves suspiros, um pouco mais. Frente a frente, já sem nos vermos. Os teus olhos já não são os meus, o teu toque já não é o mesmo toque. Porque já não temos nada para dar um ao outro. Amor, já demos tudo – e o que demos ficou espalhado pelas ruas, pelo tempo, pelo mundo. Porque o mundo foi nosso, um dia.

Um último adeus, enfim, bem o sabemos. As nossas vidas nunca nos pertenceram, como as poderíamos dar mutuamente? Não fomos mais que peças incompletas. Não fomos mais do que fomos – e isso não chegou. Amor, chamar-te-ei amor enquanto durares, porque só nós sabemos que durarás eternamente. Amor, serás sempre a recordação que mais quis que fosse verdade. Pela primeira vez. Para sempre.