Antítese 3/4

Posted in Jane Austen! by Sara on 25/11/2010

Quero esquecer-me de me lembrar de ti. Quero esquecer-me de te lembrar de nós. Quero esquecer-me com a mesma suavidade com que me lembrei – de ti, de nós. Assim, porque não poderia ser de outra forma, mesmo que quisesse ou ousasse querer. Parte, delicadamente como quem chega, e não voltes. Não voltes porque tenho sede de ti e depressa entrarei novamente nas malhas de onde quero sair. Não voltes porque dói de mais; e essa dor levará o pouco que resta de mim, arrastando-me pelos vales cerrados que criámos.

Somos o resultado do que fomos. Moldámo-nos com a massa gasta de dias que já não voltam e de histórias que ficaram por contar. E o que ficou, agora, antes do fim e depois de nós, são sombras; sombras daquilo que perdeu a cor, sombras do que era nosso e se desvaneceu para sempre. Sentimento, tão verdadeiro que parecia mentira, noite tão clara que parecia dia, tão grande que nos suplantou. Indefesos, rendemo-nos e a terra caiu sobre nós, para mergulharmos na imensidão do nada.

A nossa história é feita por todos os momentos que estragámos ou deixámos a meio, imperfeitos, inacabados. Entrego-me ao passado e ele nunca me completa, fito o futuro sem ti e este é assustador. Onde estás? Por que me deixaste assim? Dá-me a mão, uma vez mais, e tudo fará sentido por breves segundos. Afasta-te e eu acreditarei que acabámos de vez, uma vez mais. Eterna antítese, a minha antítese, a minha dor – nem contigo, nem sem ti.

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18 Respostas

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  1. André said, on 25/11/2010 at 17:37

    O meu presente, igual, perdido, abandonado numa rua com 2 caminhos, e saber que no final dos dois não vais lá estar.
    Corro em frente, de olhos fechados, fujo para longe do passado que nos ousou juntar, para um futuro onde chegaremos separados.
    Perdido. E a dor continuará em qualquer caminho em qualquer escolha, fiel.
    Perdido. E o mundo jamais ousará repetir a nossa história, triste.
    Perdido. E a realidade nunca seremos nós, amargura.

    Corro, para os braços que um dia abertos me farão apagar o teu calor, o teu cheiro, a minha dor.
    :::::

    parabéns, é impressionante que mesmo não te conhecendo faço das tuas palavras minhas.

  2. Advogada do Diabo said, on 25/11/2010 at 20:43

    Lindo. Vou voltar mais vezes.

  3. AR said, on 25/11/2010 at 21:15

    n tenho palavras para a forma como me identifico com o q escreves…!
    🙂

  4. Elsa said, on 25/11/2010 at 21:35

    Como sempre um texto fantástico 🙂
    Angustiante, cheio de emoção…
    Gosto muito Sara Maria 😛

  5. Joana said, on 25/11/2010 at 22:37

    lindíssimo sara..lindíssima essa eterna antítese..mas às vezes as memórias sao mesmo só memórias..o toque das tuas mãos ocorrerá, mas entre a tua mão e outra mão que te há-de agarrar, talvez não essa que queres.

    beijinho*

  6. mjoaob said, on 26/11/2010 at 12:03

    perfeito!
    :)*

  7. Minkah said, on 30/11/2010 at 18:40

    “A nossa história é feita por todos os momentos que estragámos ou deixámos a meio, imperfeitos, inacabados. Entrego-me ao passado e ele nunca me completa, fito o futuro sem ti e este é assustador.” – Conheço isto Muito Bem…

    gostei muito *

  8. jorge madureira said, on 20/12/2010 at 14:04

    Pois, como se costuma dizer, passado já era, não vale a pena a ele voltar, o futuro ainda não veio, pois então desfrutemos o dia presente, sem “carpe diem”, com intensidade! Assim sim!
    Um bom dia para Ti!
    Jorge madureira

  9. Joana said, on 24/12/2010 at 0:44

    feliz natal desaparecida =)*


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