Antítese 3/4

Posted in Jane Austen! by Sara on 25/11/2010

Quero esquecer-me de me lembrar de ti. Quero esquecer-me de te lembrar de nós. Quero esquecer-me com a mesma suavidade com que me lembrei – de ti, de nós. Assim, porque não poderia ser de outra forma, mesmo que quisesse ou ousasse querer. Parte, delicadamente como quem chega, e não voltes. Não voltes porque tenho sede de ti e depressa entrarei novamente nas malhas de onde quero sair. Não voltes porque dói de mais; e essa dor levará o pouco que resta de mim, arrastando-me pelos vales cerrados que criámos.

Somos o resultado do que fomos. Moldámo-nos com a massa gasta de dias que já não voltam e de histórias que ficaram por contar. E o que ficou, agora, antes do fim e depois de nós, são sombras; sombras daquilo que perdeu a cor, sombras do que era nosso e se desvaneceu para sempre. Sentimento, tão verdadeiro que parecia mentira, noite tão clara que parecia dia, tão grande que nos suplantou. Indefesos, rendemo-nos e a terra caiu sobre nós, para mergulharmos na imensidão do nada.

A nossa história é feita por todos os momentos que estragámos ou deixámos a meio, imperfeitos, inacabados. Entrego-me ao passado e ele nunca me completa, fito o futuro sem ti e este é assustador. Onde estás? Por que me deixaste assim? Dá-me a mão, uma vez mais, e tudo fará sentido por breves segundos. Afasta-te e eu acreditarei que acabámos de vez, uma vez mais. Eterna antítese, a minha antítese, a minha dor – nem contigo, nem sem ti.