Barreira(s)

Posted in Vazio, Virginia Wolf (?) by Sara on 31/10/2010

– Gosto de ti.

Sim. Não. Talvez.

As palavras que me chegam como um pedido – ou assim julgo eu – embatem numa barreira e caem a meus pés. Sou alta, maior do que tudo aquilo que me arremessas tantas vezes sem pensar. Com penar, talvez. E não desistes, uma e outra vez, e outra, e outra; atinges-me no jeito inocente de uma criança que espera o brinquedo prometido. Enfim, que promessas te fiz eu sem pensar? Sem penar, talvez. Que ilusões e desejos despertei em ti? Nunca é tarde de mais para os adormecer, assim espero.

Tocas-me e arrepias-te. Sou fria, tão fria como os recantos sombrios de uma noite de Inverno. O teu calor emana e agora sou eu que me arrepio, desprotegida, frágil… Um ligeiro sopro e desfazer-me-ia em pó, num pedaço de nada, num resto de nada. As nossas temperaturas desencontram-se, como nós, e já não somos mais que duas esferas separadas por uma barreira. E tudo quanto embate nela cai a meus pés: as tuas palavras, a tua temperatura, a soma que nunca chega a ser “nós”.

– Gosto de ti.

Sim. Não. Talvez. E assim tudo começa de novo.

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